Júlio Pomar

Dezembro 13, 2016 Paleta

Obras do Artista

Curriculum

Júlio Pomar nasceu em Lisboa, nas Janelas Verdes, no ano de 1926. Pinta desde criança. Desde o dia em que recebeu uma caixa de aguarelas oferecida pelo tio Bernardino. Com oito anos de idade, um escultor das suas relações familiares vendo nele um futuro talento, fê-lo frequentar, como aluno livre, as aulas de Desenho da Escola Industrial António Arroio (Arte Aplicada). Na adolescência, estudou nesta escola, até 1941, e nela preparou o ingresso na Escola de Belas Artes de Lisboa, que frequentou entre 1942 e 1944.

Em 1942 realizou a primeira exposição no atelier em que trabalhava. Nessa altura, foi convidado por Almada Negreiros a participar na VII Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional/Secretariado Nacional de Informação (SPN-SNI). No período pós II Guerra Mundial, Júlio Pomar foi influenciado por escritores neo-realistas como Alves Redol e Soeiro Pereira Gomes e por artistas plásticos como o pintor brasileiro Cândido Torquato Portinari ou os muralistas mexicanos Diego Rivera, José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros, que o inspiraram a usar a arte como forma de intervenção sócio-política.

Pomar tornou-se, a partir de então, num forte opositor ao regime fascista. Integrou o Movimento de Unidade Democrática (MUD) e participou nas lutas estudantis, o que lhe custou a expulsão da ESBAP. O ativismo político também se refletiu no seu trabalho. Na pintura, em obras como O Gadanheiro, exposta em 1945 na Sociedade Nacional de Belas Artes, nos textos publicados em jornais, nos quais advogava uma estética neo-realista, e na promoção da 1ª Exposição da Primavera do Ateneu Comercial do Porto, em 1946. Em 1947 organizou a 1.ª exposição individual de desenhos, no Porto. Entretanto, o mural que executara para o Cinema Batalha foi arruinado pela PIDE. Logo de seguida deixou o Porto, regressando à capital. Aí foi encarcerado durante quatro meses e viu o seu quadro Resistência ser confiscado na II Exposição Geral de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1947.

Júlio Pomar é um dos artistas nacionais mais prestigiados internacionalmente, autor de uma obra diversificada, composta por desenhos, pinturas, ilustrações, colagens, assemblages, cerâmicas, tapeçarias, esculturas e cenografias (estas últimas para três espetáculos de Graça Lobo, baseados em obras de soror Mariana Alcoforado, James Joyce e Miguel Esteves Cardoso). A sua obra, construída ao longo de cinquenta anos de trabalho, recebeu influências das muitas viagens que fez e de artistas que admirou, como Goya, Matisse, Ingres e os muralistas mexicanos.